quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Entregue no MMA manifesto contra Pai-Querê

O representante do Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais (Ingá) no Conselho Estadual de Meio Ambiente, biólogo Paulo Brack, entregou ontem (15/10) no Ministério do Meio Ambiente, em Brasília, o manifesto das ONGS contra a Hidrelétrica de Pai-Querê, no rio Pelotas. O documento é assinado por 24 entidades.

"Este empreendimento hidrelétrico, concebido em 1979, se levado a cabo será o quinto em série, agora atingindo em cheio a Zona Núcleo da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica (RBMA) e colocando em risco de extinção pelo menos duas dezenas de peixes endêmicos e outros organismos reófilos (restritos a corredeiras), nos mais de 80 quilômetros do rio Pelotas e seus tributários", diz a carta que apresenta o manifesto, elaborado na III Conferência Sobre o Impacto das Hidrelétricas no Rio Grande do Sul.

"É importante destacar que a referida hidrelétrica também está prevista para área contígua à UHE de Barra Grande, onde se perderam mais de 6 mil hectares de florestas primárias com base em um estudo de impacto ambiental irregular, realizado pela mesma empresa, Engevix, que elaborou o EIA-RIMA da UHE Pai-Querê", acrescenta a correspondência.

Ela termina pedindo que o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, visite a área e se posicione sobre a obra: "Considerando que este empreendimento geraria a inequívoca e iminente extinção de espécies reófilas endêmicas e uma tragédia ecológica de proporções incomensuráveis, relacionada à perda de 181 mil araucárias e 4 mil hectares das florestas mais protegidas e contínuas da RBMA, no sistema rio Pelotas-Uruguai, solicitamos a posição do Ministério do Meio Ambiente quanto a possibilidade de Licença Prévia à esta obra, e aproveitamos para convidar V. Exa. a conhecer pessoalmente a área".

O ministro estava em viagem, mas uma audiência com ele está sendo negociada com o seu chefe de gabinete, informou Brack. As grandes ONGs, SOS Mata Atlântica, ISA, Greenpeace e outras, estão sendo convocadas a se incorporar na campanha contra a hidrelétrica: "Não vamos parar por aqui, vamos organizar outros atos e contatos internacionais", adiantou Brack.

Da redação da EcoAgência. Reprodução autorizada, citando-se a fonte.

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