
Às vésperas da Conferência Internacional sobre Biocombustíveis, que será realizada em São Paulo, o subsecretário-geral de Energia e Alta Tecnologia do Itamaraty, André Amado, rebate críticas de que o setor empregue pessoas em condições análogas à escravidão. Para embaixador, apontar trabalho escravo na plantação de cana é distorcer a realidade.
Em Porto Alegre, inicia hoje (4/11) e vai até quinta-feira (6/11), o Simpósio Estadual de Agroenergia e 2ª Reunião Técnica de Pesquisa em Agroenergia , que acontece no Salão de Convenções da Fiergs, numa parceria da Emater/RS-Ascar, Embrapa Clima Temperado, Fepagro e Fiergs/IEL.
Os ministros da Casa Civil, Dilma Rousseff, e do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, farão as palestras de encerramento do evento (no dia 6), quando falarão respectivamente sobre “Políticas públicas para biocombustíveis” e “Biocombustíveis e mais alimentos”. É esperado que a ministra Dilma faça o lançamento do Zoneamento da Cana.
Difundir as políticas nacional e regional de agroenergia, em prol da produção de biocombustíveis e de etanol, é um dos objetivos do evento, que também prioriza o debate sobre a sustentabilidade ambiental e a inovação tecnológica, enfocando sobre florestas agroenergéticas, polímeros verdes e potencial de microalgas para produção de biocombustíveis.
Trabalho escravo
"Não se pode dizer que há trabalho escravo na plantação de cana-de-açúcar somente por ser possível encontrar na atividade situações de trabalho em condição degradante". Foi o que afirmou na segunda-feira (3/11) o subsecretário-geral de Energia e Alta Tecnologia do Itamaraty, embaixador André Amado. Para ele, isso seria uma distorção da realidade.
“Eu acho que é uma distorção da parte de pessoas que querem [simplesmente] distorcer [a realidade], não é uma alegação que se baseie em fatos”, disse Amado durante entrevista coletiva sobre a Conferência Internacional sobre Biocombustíveis, que será realizada em São Paulo, de 17 a 21 de novembro. Ela foi anunciada pelo presidente Lula na Assembléia Geral das Nações Unidas do ano passado e deve contar com a presença de representantes de vários países, incluindo técnicos e ministros.
Questionado sobre o que o governo brasileiro diria frente a críticas de que o setor de produção de açúcar e álcool emprega pessoas em condições análogas à escravidão o embaixador afirmou que existe uma confusão sobre o que seria trabalho escravo e o que é, na definição da Organização Internacional do Trabalho (OIT), trabalho em condição degradante.
“O que nos deixa um pouco indignados é essa preocupação de qualificar o trabalhador rural, porque faz um trabalho muito difícil, à luz do sol, horas a fio, como um escravo. Por quê? Ele tem condições muito difíceis de vida, mas são condições muito difíceis de vários trabalhadores rurais e urbanos brasileiros e nem por isso eles podem ser considerados como escravos. Isso faz parte de uma campanha de denegrimento da atividade de produção de biocombustíveis no Brasil”, argumentou.
De acordo com o embaixador, mesmo os movimentos sociais concordam que, pelo menos em São Paulo, estado responsável por cerca de 60% da produção de cana-de-açúcar do Brasil, os casos encontrados seriam de trabalho em condições degradantes e não trabalho escravo.
Sobre o emprego de crianças na lavoura de cana, Amado concordou que sua existência é provável, mas argumentou que não há como dizer a um produtor no Nordeste, por exemplo, que não empregue o seu filho. “O governo está dizendo isso há muito tempo, o Ministério do Trabalho está dizendo isso há muito tempo, o Ministério Público está fiscalizando isso, mas um que outro caso continua acontecendo e isso é suficiente pra botar o rótulo em toda a atividade como empregadora de crianças?”, questionou.
Ainda de acordo com Amado, os ganhos sociais da produção de etanol no Brasil são muito grandes. Segundo ele, a atividade emprega cerca de 1 milhão de trabalhadores e o setor é o que mais tem carteiras assinadas. "É impressionante o que esse setor incorporou de mão-de-obra talvez flutuante ou desempregada nas áreas de plantação de cana-de-açúcar”, destacou.
Por Ana Luiza Zenker, repórter da Agência Brasil, com colaboração da Redação da EcoAgência de Notícias Ambientias.
Informações sobre o Simpósio em Porto Alegre pelo www.cpact.embrapa.br.
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