quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Minc diz que área para plantio de cana-de-açúcar terá mais 7 milhões de hectares

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, disse ontem (9) que a área autorizada para plantio de cana-de-açúcar será ampliada em 7 milhões de hectares. Para isso, os plantadores receberão incentivos. Entretanto, a fiscalização também será aumentada. Segundo ele, haverá parceria entre estados e a União, além do maior monitoramento por satélite.

"Estamos intensificando a fiscalização dos parques nacionais para combate à irresponsabilidade ambiental", disse em audiência pública no Senado. "O Brasil é o único país do mundo que tem terra suficiente que permite expansão", completou.

A idéia, segundo o ministro, é garantir o aumento da produção de etanol sem prejudicar a produção de alimentos. "Sem quebrar a produção de alimentos, que foi o que aconteceu com o milho americano e sem provocar a carestia alimentar", comentou. "Queremos fazer isso com toda a segurança, com toda a parte técnica, e não apenas com invasão de área protegida."

Em entrevista no Rio de Janeiro em 25 de agosto, Minc negou que o governo estivesse estudando alguma proposta para permitir o avanço da cultura da cana-de-açúcar no pantanal mato-grossense, ao contestar informações veiculadas pela imprensa sobre a exploração de canaviais e a instalação de usinas no bioma.

Na ocasião, ele afirmou que não haverá “um pé de cana no pantanal ou na Amazônia”.


Afirmação do ministro

A Amazônia e o Pantanal Matogrossense estão fora do zoneamento ecológico e econômico para o plantio da cana-de-açúcar. A afirmação é do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, acrescentando que os estudos para a definição das áreas passíveis de plantio para posterior exploração de etanol estão em fase final de elaboração.

A expectativa é de que, até o fim deste ano, o estudo seja concluído. "Não haverá novas usinas de cana na Amazônia nem no Pantanal", afirmou o ministro após audiência pública da Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado Federal.

Minc acrescentou que a preocupação do governo está na ampliação da área destinada ao plantio de alimentos, assunto que está sob discussão, neste momento, pelos técnicos do Executivo. "Não basta não afetar áreas ambientais, nós queremos evitar que o aumento do etanol e do biocombustível causem carestia alimentar".

De acordo com o ministro, "o que está sendo afinado até o fim do mês é garantir a expansão da área de alimentos simultaneamente à expansão do etanol". Ele ressaltou que o primeiro plano brasileiro de mudanças climáticas prevê um aumento na produção do etanol em 11% ao ano.

Para que possa cumprir essa meta, o governo necessita de uma área nova de plantio de 6 milhões de hectares. "Temos 60 milhões [de hectares] disponíveis e vamos escolher esses seis nos 60 milhões. O Brasil é o único país que tem terra para aumentar a proteção, aumentar o etanol e aumentar a produção de alimentos com a Amazônia e o Pantanal preservados."


Por Priscilla Mazenotti e Marcos Chagas, repórteres da Agência Brasil.

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