Por Hernán Sorhuet Gelós*
A assembléia da UICN aprovou uma recomendação de trabalhar pelo manejo sustentável da pesca na Bacia do Prata.
Na semana passada terminou em Barcelona o maior encontro mundial que se realiza a favor da natureza e do desenvolvimento dos povos. Esta iniciativa é impulsionada pela organização conservacionista mais reconhecida do mundo: a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).
Mais de 8 mil especialistas em meio ambiente e representantes de entidades governamentais, organizações não-governamentais, acadêmicas, empresariais, assim como coletivos de mulheres e grupos indígenas, debateram sobre os assuntos mais angustiantes de nosso tempo.
Não foi novidade a reiteração de anúncios muito preocupantes, como que o tempo se esgota para muitos ecossistemas chaves do mundo e que a superexploração dos recursos naturais nem sequer diminuiu a pobreza das comunidades locais.
Também que crescem sem freio os interesses econômicos e políticos, aumentando seu peso na hora da tomada de grandes decisões, subordinando aspectos chaves como o ambiental e o social.
Uma das forças destes encontros é o acesso a novas investigações, enfoques e alianças que promovem. Também tendem a decidir por mais investimentos em projetos de conservação.
Merece um comentário à parte a iniciativa Google Earth de contribuir para ajudar a educar o público e fornecer novas ferramentas ao trabalho dos especialistas ambientais de todo o mundo.
Em relação à nossa região, denunciou-se que os grandes projetos de infraestrutura e energia promovido em nome da “integração regional” e o “desenvolvimento” (IIRSA), em realidade ameaçam ambientes insubstituíves como a Amazônia, o Pantanal, o rio Paraná, as geleiras e lagos patagônicos.
Os participantes sulamericanos denunciaram que estas iniciativas não estão beneficiando o desenvolvimento local. Pelo contrário, nota-se um empobrecimento das comunidades locais, porque são megaprojetos pensados para acelerar a extração dos recursos naturais.
Também se afirmou que, em matéria de produção energética ocorre algo parecido, no sentido de que as grandes obras previstas estão pensadas para satisfazer a crescente demanda da indústria e das grandes cidades, sem se importar muito com o custo ambiental e social no local das obras.
Na assembléia de membros da UICN, aprovou-se uma recomendação de trabalhar pelo manejo sustentável da pesca na Bacia do Prata. Trata-se da segunda mais importante da América do Sul, com seus 3.200.000 quilômetros quadrados de extensão, que inclui territórios da Argentina, Brasil, Bolívia e Uruguai, e toda a superfície do Paraguai.
Suas áreas pesqueiras são ricas em diversidade e de alta importância social como sustento das comunidades locais.
Atribuiu-se a mais alta prioridade à implementação de medidas de conservação e uso sustentável das áreas úmidas (banhados, pântanos) e demais ecossistemas hídricos da bacia, com o propósito de assegurar suas conservação.
Representantes da região também alertaram para o processo de mudança do uso do solo (expansão da fronteira agrícola, florestamento incontrolado, mineração irresponsável) que ocorre em todas as partes, por estar em desacordo com os mais elementares princípios da sustentabilidade.
*O autor é jornalista no Uruguai, onde escreve sobre meio ambiente no jornal El País, de Montevidéo. Reprodução autorizada, citando-se a fonte.
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