
Na próxima quarta-feira (17/9) haverá uma manifestação silenciosa na Câmara de Vereadores de Porto Alegre, proposta por entidades que se posicionam contra o projeto Pontal do Estaleiro. Representantes de associações de moradores, ambientalistas e demais entidades, vestidos de preto, ocuparão as galerias do Plenário da Câmara para a sessão das 14h.
Para a vice-presidente da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), Sandra Jussara Ribeiro, “esta campanha será vitoriosa, como foi a da Agapan há 20 anos, com a escalada da chaminé da Usina do Gasômetro”, diz, ao destacar que a população teve a atenção voltada para a possível privatização da Orla do Guaíba. “A união e a força da nossa consciência cidadã mais uma vez nos enseja a lutar por uma orla livre da privatização”, reafirma Sandra, ao estender o convite para essa participação.
“Vamos à Câmara de Vereadores nesta quarta-feira, todos de preto. O povo gaúcho e, em especial, o portoalegrense, desta e das gerações que vierem a nos suceder, merecem receber este legado”, salienta Sandra.
Integram a campanha Não ao projeto Pontal do Estaleiro a Agapan, Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho, Associação dos Moradores e Amigos do Bairro Independência (Amabi), Movimento Viva Gasômetro, Associação Moinhos Vive, Associação dos Moradores do Bairro Ipanema (Ambi), Associação dos Moradores da Auxiliadora (Ama), Centro Comunitário de Desenvolvimento da Tristeza, Vila Assunção, Vila Conceião e Pedra Redonda (CCD), Defesa Civil do Patrimônio Histórico (Defender), Associação dos Moradores da Cidade Baixa, Associação Comunitária Jardim Isabel Ipanema (Ascomjip), Conselho Estadual da Umbanda e dos Cultos Afro-Brasileiros do RS (Ceucab/RS), Associação dos Moradores do Sétimo Céu (AMSC), Movimento Petrópolis Vive, União pela Vida (UPV), ONG Solidariedade, Movimento Higienópolis Vive, Associação dos Moradores do Bairro Chácara das Pedras (Amachap) e Instituto Biofilia.
A camanha Não ao projeto do Pontal do Estaleiro destaca as questões ambiental, urbanística, ética e legal e a vocação da Orla:
NÃO
ao projeto Pontal do Estaleiro
O projeto prevê a construção de um complexo arquitetônico (6 prédios) de 60 mil metros quadrados na área do antigo Estaleiro Só.
Cada prédio terá volume igual ao nosso Hospital das Clínicas.
1 - Questão AmbientalSe aprovado, causará grande impacto ao ambiente natural da região. As construções formarão uma barreira artificial impedindo a passagem dos ventos para a cidade e da luz do sol para a vizinhança, além do grande aumento da produção de esgoto cloacal que na região é ligado ao pluvial.
2 - Questão UrbanísticaO projeto trará problemas de trânsito pela Av. Padre Cacique, que já terá aumento de fluxo de automóveis pela inauguração do Barra Shopping Sul a partir de outubro.
3 - Vocação da OrlaLazer e recreação é a vocação de qualquer orla no mundo. A construção do empreendi-mento inviabilizaria a implantação de um grande Parque, que é um anseio da população, independente de classe social. A Orla do Guaíba pertence a toda população da cidade. As orlas são Áreas de Proteção Permanente. Não podem estar acessiveis apenas aos moradores e freqüentadores dos estabelecimentos ali localizados, o belo por do sol e a vista do nosso Guaíba.
4 - Questão Ética e LegalO empreendedor quando adquiriu o terreno em leilão, pagou um valor mais baixo por estar impedida por lei municipal a construção de prédios residenciais na área.
Agora quer que se mude a lei para auferir maiores lucros. Caso a lei seja alterada, o município estará sendo irresponsável com as pessoas que morarão ali, pois é área com risco de enchentes e negligente, anti-ético e banal ao desrespeitar a lei, sacrificando o bem-estar da maioria da população para favorecer a ganância de uma minoria.
Participe!
Não permita que alterem a Lei!
Foto: arquivo Agapan: Há 20 anos, ambientalistas chamaram atenção contra privatização da Orla
Por Adriane Bertoglio Rodrigues, especial para a EcoAgência de Notícias. Reprodução autorizada, citando a fonte.
Um comentário:
A AMA/Associação dos Moradores e Amigos da Auxiliadora apoia a ação CONTRA o projeto Pontal do Estaleiro.
É um absurdo admitir um projeto que prevê a construção de 4 prédios (volumetria similar ao HOSPITAL DAS CLÍNICAS) junto a Orla do Guaíba, para finalidade privada - mesmo sob alegação de benfeitorias públicas, pois um calçadão ou acesso à Orla não minimizam o brutal impacto visual e ambiental desse empreendimento.
Sidney (Austrália), mesmo Buenos Aires, Londres ou Dublin, para ficar nesses exemplos mais conhecidos, representam projetos cujo interesse público prevaleceu sobre os interesses privados: sobretudo em respeito às leis e diretrizes para desenvolvimento sustentável da economia e turismo da Orla dessas cidades.
Resistir é preciso! É o vaticínio contra o poderoso lobby do SINDUSCON - que coopta diversos vereadores e vereadoras de todos os partidos (principalmente através de financiamento de campanha em ano eleitoral), além de contratar CLAQUE (torcida) para aprovação da alteração do Plano Diretor na Câmara, em favor de projetos dessa (des)natureza, que abrem perigoso precedente para privatização completa da Orla da nossa cidade.
Significa assumir que o poder público se omite da responsabilidade de revitalização da Orla do Guaíba - que por lei deve ser mantida para utilidade pública, afim de que todos os munícipes tenham direito ao usufruto da paisagem maravilhosa que nos é oferecida pela natureza.
Significa dizer, também, que interesses privados (grandes empreendimentos) passam a assumir a comercialização do solo com finalidade especulativa, cujo impacto negativo no ecossistema coloca em risco o equilíbrio daquele bioma e a qualidade de vida de todos os porto-alegrenses.
A justificativa de propriedade privada - cujo leilão ainda é alvo de processos na justiça por ter apresentado, à época, uma série de irregularidades - não pode desprezar o PDDU de Porto Alegre, tampouco o Estatuto das Cidades, que prevê uma série de restrições para empreendimentos desse porte junto a Orla da capital gaúcha.
Não podemos ficar passivos diante dessa situação. Não podemos simplesmente admitir a "lei do mais forte", pois a comunidade deve assumir sua força e protagonismo, desde que se mobilize, desde que aja em defesa do direito público.
À todos que lêem essa mensagem: mobilizemo-nos! Há um líder dentro de cada um de nós!
Basta um passo para iniciar a caminhada! Basta uma voz para iniciar a cantoria! Basta um gesto para iniciar o movimento!
E a caminhada, a cantoria e o movimento estão em marcha!
João Volino Corrêa
Presidente da AMA
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