quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Alta no preço dos alimentos agrava problema da fome no mundo, afirma ONU

Pelo menos 75 milhões de pessoas foram colocadas abaixo do limiar da fome em todo o mundo no ano passado, de acordo com relatório da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). Com isso, o número de desnutridos chegou a 923 milhões de pessoas, contra uma estimativa de 848 milhões para o período 2003-2005.

Para a FAO, um dos principais motivos foi o aumento nos preços internacionais de alimentos. E com a alta contínua nos valores dos principais cereais e do petróleo em 2008 - apesar de o preço do barril ter retornado à faixa dos US$ 100 recentemente -, a expectativa da organização é de um crescimento ainda maior da fome no mundo.

A região onde a fome se agravou mais é a Ásia e o Pacífico, com 41 milhões de novos desnutridos. Na América Latina e Caribe, a FAO estima que o aumento foi da ordem de seis milhões.

Os números mostram uma reversão na tendência positiva rumo ao cumprimento dos Objetivos do Milênio (ODM), entre eles o de reduzir pela metade a proporção de pessoas com fome no mundo até 2015.

De acordo com a FAO, chegar à meta fixada na Cúpula Mundial sobre Alimentos, em 1996, é um desafio cada vez mais difícil, já que seria necessário reduzir o número de famintos em 500 milhões para se chegar à metade do número estimado em 1990-1992, que era de 842 milhões.

Além disso, a tendência negativa também coloca em risco os outros ODMs. Segundo a organização, é necessário romper o círculo vicioso da fome e da pobreza, agindo em duas frentes.

Uma é fazer com que a população mais pobre e vulnerável tenha acesso a alimentos e outra é ajudar os pequenos produtores a aumentar sua produção e renda.

Ainda de acordo com a FAO, os países mais atingidos pela crise dos alimentos, a maioria na África, vão precisar de pelo menos US$ 30 bilhões por ano para garantir a segurança alimentar da sua população e reativar sistemas agrícolas.

No entanto, a redução da fome pode trazer grandes benefícios, de forma a permitir que se alcance os outros objetivos do milênio, como a redução da pobreza, do analfabetismo, da mortalidade infantil.

Por Ana Luiza Zenker, da Agência Brasil. Reprodução autorizada, citando-se a fonte.

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