Por Najar Tubino*
O comércio mundial de produtos orgânicos em 2006 cresceu quase 15% e atingiu a cifra de 25,4 bilhões de euros, segundo o trabalho “A agricultura orgânica no mundo: estatísticas e tendências para 2008”, da Federação Internacional de Agricultura Ecológica (Ifeam), do Instituto Sobre Agricultura Ecológica (Fibl) e a Fundação Ecologia e Agricultura (Sol), todas com sede na Europa.
Os maiores consumidores de produtos ecológicos são os norte-americanos, gastaram cerca de 16 bilhões de dólares. A previsão para 2010 é de 26 bilhões. Na Europa, a Alemanha está na ponta como maior compradora, um negócio que no ano passado atingiu a cifra de 5,3 bilhões de euros, conforme levantamento da Associação da Indústria alemã de alimentos Ecológicos. A região da Baviera consome quase a metade das importações de orgânicos, que tem origem na Espanha.
Educando crianças
Os espanhóis foram os primeiros a plantar transgênicos em extensas áreas, mas também organizaram um movimento de agricultura ecológica sólido. A maior região produtiva é a Andaluzia, mas os debates se concentram na Catalunha, na cidade de Barcelona, onde no mês de maio se realizou mais um evento da Bionatura, uma feira especializada em produções ecológicas, de todos os tipos, que acontece primeiramente em Madri.
Lá, com 700 expositores, recebeu a visita de 125 mil pessoas. A feira serve de palco de discussões, oficinas, inclusive infantis – por exemplo, ensinando crianças a identificar produtos orgânicos, através das etiquetas. Na Espanha, também existem iniciativas para o plantio de 100 milhões de árvores, um projeto de uma entidade, funciona como cooperativa, chamada “Maderas Nobles”. O interessado investe no plantio, como se fosse uma poupança.
Livre de transgênicos
Porém, a iniciativa mais importante, sem dúvida, foi a reunião em Bilbao, com mais de 40 estados organizados na Europa, que se declararam zona livre de transgênicos – contando departamentos, municípios, são mais de 160. Num documento encaminhado à Comissão Européia, que analisa os pedidos de liberação dos transgênicos, deixaram claro:
- Os produtos transgênicos supõem uma homogeneização da produção agrária e se chocam com as políticas agrícolas baseadas em produtos nativos e de qualidade.
- As regiões membros da rede trabalharam durante anos para que seu nome se associe a qualidade de seus produtos, sendo os transgênicos uma ameaça contra a política de diferenciação por qualidade.
- Exigir da Comissão Européia, que o livro verde de produção regionais, nativas e de qualidade inclua o pré-requisito de excluir as produções de alimentos transgênicos”.
Cresce no mundo
As regiões livres de transgênicos englobam vários países, entre eles, Espanha, Itália, França, Reino Unido, Alemanha. O movimento de produtores orgânicos, não somente agrícola – vai de grãos, verduras, frutas, aos industrializados, como azeites, vinhos, até os cosméticos – cresce de uma forma organizada no mundo inteiro. É nos países industrializados que estão os maiores compradores, têm disponibilidade financeira de pagar 20, 30% a mais no custo das mercadorias.
Na Alemanha, por exemplo, funcionam mais de 350 supermercados, exclusivamente dedicados à venda de produtos ecológicos, eu biológicos – na Espanha, eles usam a marca “bio”. Além disso o país pretende ocupar 20% do território com a produção orgânica. Na Espanha, uma das metas do Ministério do Meio Ambiente, Meio Rural e Marinho, criado recentemente, pretende dispor 10% do território à agricultura ecológica.
No mundo, são mais de 30 milhões de hectares produzindo alimentos livres de venenos e fertilizantes químicos, dependentes do petróleo. O crescimento foi de 1,8 milhão de hectares de 2005 para 2006. Austrália é líder em área ocupada – mais de 12 milhões de hectares, seguida pela China.
Esquizofrenia
A agricultura ecológica conta com outros incentivos, de outras organizações como o Slow Food, uma associação internacional, que valoriza os alimentos naturais e a comida caseira. Criada em 1986, na Itália, desde 1989, se transformou em uma organização internacional, com 86 mil associados, e sedes em países como Alemanha, Suíça, Itália, Estados Unidos, França, Japão e Reino Unido.
Em outubro, de 23 a 27, na cidade de Turim, ocorrerá um encontro dos associados e interessados no tema. Além de discussões, degustações, funciona uma feira mundial de alimentos e produtos de qualidade. O italiano Carlo Petrini é o presidente do Slow Food. Na última edição da revista The Ecologist ( em espanhol), ele concedeu uma entrevista, onde comenta:
- Produzimos alimentos no mundo para 12 bilhões de pessoas e somos 6,3 bilhões. Cerca de 800 milhões passam fome e outros 700 milhões padecem de enfermidades por uma má alimentação. Vivemos uma esquizofrenia alimentar. Nunca se falou tanto de comida e jamais o mundo comeu tão mal. Os transgênicos promovem mudanças substanciais nos hábitos sociais, no desaparecimento de sementes, uso massivo de pesticidas, a homogeneização alimentar, o desaparecimento de alimentos tradicionais”.
Bioneros
Paralelo, cresce a movimentação do Miles Food, que prega a compra de alimentos regionais, que não viajam, não passeiam pelo mundo, até chegar ao destino final. O lema é: “pensa global, compra local”. Nos Estados Unidos, o grupo “bioneros” (biologistas pioneiros), nascido no Nuevo México, na cidade de Santa Fé, é um dos incentivadores. Eles começaram o trabalho em cima das sementes nativas, depois ampliaram, espalharam suas iniciativas pelo Canadá e vários regiões estadunidenses. Tem até uma rádio funcionando. Quem tiver interessado, o site é : http://www.bioneers.org/. o endereço do Slow Food: http://www.slowfood.it/.
E para quem quiser participar do IV Congresso Internacional de Educação Ambiental, na Faculdade de Educação, da Universidade Complutense de Madri, que acontecerá no período de 10 a 12 de setembro, pode entrar no site http://www.ae-ea.org/, ou pelo e-mail –info@ae-ae.org.
*Jornalista gaúcho e palestrante sobre meio ambiente (najartubino@yahoo.com.br). Reprodução autorizada, citando-se a fonte.
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