sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Inventário Florestal do Parque Nacional da Lagoa do Peixe será concluído este mês

Até o final do mês de agosto deverá estar concluído o Inventário Florestal da área de pinus (Pinus spp), dentro do Parque Nacional da Lagoa do Peixe, Unidade de Conservação vinculada ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), de domínio da União. A informação é do analista ambiental Valdemar Pires Dantas, da Diretoria de Unidades de Proteção Integral do ICMBio.

Ele está trabalhando no projeto de erradicação do pinus e posterior recuperação da área com espécies nativas no entorno e interior do Parque, conforme determinação da antecipação de tutela da Ação Cível Pública (ACP) do Ministério Público Federal de maio de 2006. Desde aquela data, a Superintendência do Ibama no RS e agora o Instituto Chico Mendes vêm realizando uma série de procedimentos, como geoprocessamento das áreas com plantios de espécies exóticas, reuniões com a comunidade local, esclarecendo sobre a proibição de novos plantios, replantios ou qualquer manejo de exóticas.

Em fevereiro deste ano, o ICMBio e a empresa Florestadora Palmares (Flopal) acertaram a elaboração do Inventário Florestal das florestas de pinus dentro do parque, iniciado em julho e que deverá estar concluído no final de agosto. Com este trabalho concluído, será possível estabelecer a área total a ser recuperada, já que o mapeamento deverá apontar o volume de madeira (pinus) que poderá ser comercializado.

Essa comercialização, segundo Valdemar Dantas, "vai gerar um recurso que será utilizado na recuperação da área". A conclusão do Inventário "também possibilitará ao ICMBio propor ao Ministério Público Federal a realização de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), permitindo obter recursos através da venda direta da madeira e o gerenciamento desta verba por uma comissão", explica.

A previsão do técnico é que o TAC seja assinado até outubro, mesmo prazo previsto para a conclusão do Plano de Erradicação e Recuperação que está sendo elaborado pelos servidores do ICMBio que estão trabalhando naquela região. Se todos os prazos forem cumpridos e os trabalhos técnicos realizados, serão retirados aproximadamente 1.400 hectares de pinus da área do PNLP, que serão substituídos por espécies nativas.

Para a chefe do Parque, Maria Tereza Queiroz Melo, o Inventário Florestal é o começo do processo para resolver os conflitos na Unidade de Conservação, que tem 34.400 hectares. Segundo ela, sem o Inventário hoje é impossível saber qual a propriedade que deve ser desapropriada e que está dentro da UC. Em contraste com a vegetação natural, os plantios de pinus foram introduzidos na região na década de 70 com incentivo fiscal do governo federal, antes da criação do Parque, em 1986.

Por Maria Helena Firmbach Annes, do Ibama / RS.

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