quarta-feira, 30 de julho de 2008

Novas Oportunidades

Por Hernán Sorhuet Gelós*

Devemos aproveitar mecanismos que transformam medidas de conservação ou captura de carbono em investimentos.

O fato de que 70% dos recursos naturais estejam nos países em desenvolvimento mostra claramente a importância cada vez maior que têm para nossas sociedades administrá-los de maneira inteligente.

Não se trata simplesmente de vender mercadorias, senão de aproveitar todo o seu potencial econômico, mas sem por em risco sua sustentabilidade. Estes temas, entre outros, foram abordados dias atrás em um encontro internacional para jornalistas, organizado no Paraguai pelo Banco Mundial. A idéia central foi discutir a maneira de abordar a complexidade do mundo atual na hora de informar.

Por exemplo, sabemos que nos países não se está administrando o capital natural com o mesmo rigor com que se administra o orçamento. Suas conseqüências estão à vista: degradação dos recursos naturais, perda da diversidade biológica, e outros efeitos negativos.Custa-nos perceber os grandes benefícios que recebemos dos ecossistemas; desses mesmos ecossistemas que tanto descuidamos.

É o caso dos serviços de provisão (alimentos, água, madeira, fibras, combustíveis, etc.); os serviços de regulação (do clima, erosão, purificação da água, enfermidades, polinização); os serviços de suporte (reciclagem de nutrientes, formação do solo, produtividade primária, eliminação de resíduos); e até os chamados serviços culturais (estéticos, espirituais, recreativos, educativos).

Como bem diz o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, “É de suma importância desenvolver uma cultura sobre nosso capital natural que, apoiada por uma política de Estado, valorize suas dimensões sociais, biológicas e econômicas”.

Uma vez mais se falou das interessantes oportunidades que significam para nossos países alguns mecanismos disponíveis de transformar medidas de conservação ou de captura de carbono, em investimentos. Por exemplo, o pagamento por serviços ambientais é uma ferramenta cada vez mais utilizada à escala global. Também aumenta a captação de projetos dentro dos Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (mudança climática), por muitos países não industrializados.

Mas para aproveitar as oportunidades de aplicar modelos de desenvolvimento sustentável em nossos países, é necessário que a sociedade em seu conjunto incorpore essa idéia. Seus distintos estamentos devem jogar um papel importante para que se concretize.

Nesse sentido, entre os participantes se constatou uma ampla coincidência do importante papel que deve cumprir o jornalismo na construção de sociedades sustentáveis – caracterizadas pela inclusão social, a eqüidade, a conservação dos recursos e a produção responsável.

Mas, ao mesmo tempo é grande o desafio, porque na velocidade com que se sucedem as mudanças no mundo atual, parece quase não dar tempo de se analisar corretamente tanta informação e tantas visões diferentes.

De qualquer modo, fica claro que os tempos que correm impõem ao jornalismo a obrigação de ser mais rigoroso, criativo e estar mais capacitado.

A complexidade da problemática ambiental se caracteriza por ter profundas implicações políticas, econômica e sociais. O desafio que significa viver nesse contexto obriga a cada pessoa a construir seu futuro, mas dentro do projeto de sua comunidade.

*O autor é jornalista no Uruguai, onde escreve para o jornal El País. Tradução de Ulisses A. Nenê para a EcoAgência. Reprodução autorizada, citando-se a fonte.

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