
Por Doraldina Zeledón Úbeda – El Nuevo Diario/Nicarágua
Os responsáveis pelas campanhas dos partidos políticos deveriam analisar seus produtos de comunicação, antes de publicá-los. E não só os discursos diretos dos textos e das imagens, mas também sua inter-relação, que as vezes gera mensagens contraditórias ou não desejadas. Além disso, seria conveniente analisarem o suporte de suas campanhas, pois também nisso “o meio é a mensagem”.
Um dia desses fui a Estelí e vi as bolsas de plástico que um partido presenteava como parte de sua campanha. Então, enquanto instituições e organizações motivam para não usá-las, eles, sem uma reflexão sobre o efeito de suas ações, começam a distribuí-las. O que transparece que isso não lhes preocupa e que quando se mostram amigáveis com o entorno, é somente uma máscara verde para atrair votos, como se os eleitores não raciocinassem.
As bolsas plásticas demoram milhares de anos para desintegrar-se. Além de sujar e contaminar o ambiente, necessitam de muita energia para sua fabricação. Mas não só sujam enfeiam a cidade, senão que se convertem, como alguém disse, na “flor nacional” que se vê por todos os lados: proliferam nas ruas e entopem as sarjetas, florescem nas árvores, nos muros, nos pântanos e até no pó das estradas. E vão dar ao mar e ao lago. E são uma armadilha para alguns animais que as confundem com alimentos e as engolem, e se asfixiam. E essas mesmas bolsas são engolidas por outros e assim vão em cadeia, pelo que o perigo se multiplica.
Enquanto a nível mundial se está impulsionando o uso de bolsas de pano, aqui os que procuram chegar ao poder para dirigir os assuntos municipais promovem e propiciam o uso das bolsas plásticas. Nem sequer pensam que sua mensagem será descartada ao primeiro uso; enquanto que se presenteassem bolsas de pano, sua mensagem seria mais duradoura, menos contraditória e não contaminariam ao menos o meio ambiente físico; mas poderiam contaminar o meio ambiente emocional, se se dedicam a atacar os adversários, em vez de oferecer propostas atrativas, congruentes, inteligentes e realistas.
O problema também está na contaminação acústica. Não só me têm comentado, tenho presenciado; e a mensagem nem se escuta, devido ao estrondo e à má qualidade do som ou ao mau uso do equipamento. A publicidade ambulante é para isso: para difundir enquanto se está em movimento, não estacionado. Porém, param em frente às residências, ou passam uma e outra vez. E em vez de dar uma mensagem que atraia os eleitores, o que conseguem é rechaçá-los, o que é lógico, pois estão afetando a sua saúde e tranqüilidade.
Por que será tão difícil entender que o ruído afeta a saúde? Será necessário ver correr sangue dos ouvidos cada vez que um ruído se torna insuportável? Antes havia, ao menos para Manágua, um decreto sobre a publicidade ambulante; se revogou, mas não se aprovou outro. Será tão difícil?
A publicidade ambulante necessita de um horário, pois não se pode conviver toda hora com os anúncios. E deveria indicar questões de qualidade do som, já que às vezes é tão ruim que não se entende e incomoda tanto quanto o alto volume. Deveriam ser responsáveis por isso os clientes e proprietários dos equipamentos, uns não contratando maus serviços, e os outros, oferecendo um som melhor, que inclua volume adequado para não afetar a saúde. Não é que se esteja contra a publicidade ambulante, pois cumpre uma função social e gera empregos, mas deve ser normatizada. E deveria ser atraente. Mas bem, o caso não é a publicidade ambulante normal, sim o ruído das campanhas, que igualmente deve ser regulado.
E não só os estrondos dos equipamentos de som, mas também os buzinaços das caravanas de veículos, que desrespeitam e maltratam aos eleitores. A lei 431, de circulação veicular, estipula multas para quem provoque “ruídos escandalosos e perturbadores do meio ambiente” (Art. 26, inciso 40).
Seguramente esta é uma exceção que se autoconcedem os políticos. Ou será que as autoridades concedem esta permissão? E se não concedem, tampouco escutam os buzinaços. O poder político-partidário se impõe ante o dever constitucional de proteger a saúde e o meio ambiente.
Por que uma propaganda com gritos, buzinaços e sacolas plásticas?
Por que os partidos políticos só vêem o voto em cada cidadão?
Por que não vêem a um ser humano que merece respeito? Por que não nos fazemos respeitar? A contaminação ambiental nos afeta a todos e a todas, e quem chegue à cadeira de edil serão os principais responsáveis pelo meio ambiente saudável e à saúde da população. Que podemos esperar destes candidatos e candidatas?
É preciso ainda lembrar da contaminação visual, com faixas, cartazes, adesivos, garrafas e milhares de santinhos que deixam nos comícios e concentrações. Em que lhes ajuda essa quantidade de papéis que ficam atirados? Sabem quanta água e quanta energia significa fabricar esse papel todo? E o quanto contamina sua fabricação?
Oxalá que troquem suas bolsas plásticas por outras de pano, assim mudarão em parte sua mensagem. E seus altos decibéis por atividades de alto conteúdo social, artístico e cultural. Por que não um esforço de criatividade, honestidade e inteligência, e fazer da campanha eleitoral uma real festa cívica?
Publicado no El Nuevo Diário de Manágua, Nicarágua. Tradução de Ulisses A. Nenê para a EcoAgência. Reprodução autorizada, citando-se a fonte.
Os responsáveis pelas campanhas dos partidos políticos deveriam analisar seus produtos de comunicação, antes de publicá-los. E não só os discursos diretos dos textos e das imagens, mas também sua inter-relação, que as vezes gera mensagens contraditórias ou não desejadas. Além disso, seria conveniente analisarem o suporte de suas campanhas, pois também nisso “o meio é a mensagem”.
Um dia desses fui a Estelí e vi as bolsas de plástico que um partido presenteava como parte de sua campanha. Então, enquanto instituições e organizações motivam para não usá-las, eles, sem uma reflexão sobre o efeito de suas ações, começam a distribuí-las. O que transparece que isso não lhes preocupa e que quando se mostram amigáveis com o entorno, é somente uma máscara verde para atrair votos, como se os eleitores não raciocinassem.
As bolsas plásticas demoram milhares de anos para desintegrar-se. Além de sujar e contaminar o ambiente, necessitam de muita energia para sua fabricação. Mas não só sujam enfeiam a cidade, senão que se convertem, como alguém disse, na “flor nacional” que se vê por todos os lados: proliferam nas ruas e entopem as sarjetas, florescem nas árvores, nos muros, nos pântanos e até no pó das estradas. E vão dar ao mar e ao lago. E são uma armadilha para alguns animais que as confundem com alimentos e as engolem, e se asfixiam. E essas mesmas bolsas são engolidas por outros e assim vão em cadeia, pelo que o perigo se multiplica.
Enquanto a nível mundial se está impulsionando o uso de bolsas de pano, aqui os que procuram chegar ao poder para dirigir os assuntos municipais promovem e propiciam o uso das bolsas plásticas. Nem sequer pensam que sua mensagem será descartada ao primeiro uso; enquanto que se presenteassem bolsas de pano, sua mensagem seria mais duradoura, menos contraditória e não contaminariam ao menos o meio ambiente físico; mas poderiam contaminar o meio ambiente emocional, se se dedicam a atacar os adversários, em vez de oferecer propostas atrativas, congruentes, inteligentes e realistas.
O problema também está na contaminação acústica. Não só me têm comentado, tenho presenciado; e a mensagem nem se escuta, devido ao estrondo e à má qualidade do som ou ao mau uso do equipamento. A publicidade ambulante é para isso: para difundir enquanto se está em movimento, não estacionado. Porém, param em frente às residências, ou passam uma e outra vez. E em vez de dar uma mensagem que atraia os eleitores, o que conseguem é rechaçá-los, o que é lógico, pois estão afetando a sua saúde e tranqüilidade.
Por que será tão difícil entender que o ruído afeta a saúde? Será necessário ver correr sangue dos ouvidos cada vez que um ruído se torna insuportável? Antes havia, ao menos para Manágua, um decreto sobre a publicidade ambulante; se revogou, mas não se aprovou outro. Será tão difícil?
A publicidade ambulante necessita de um horário, pois não se pode conviver toda hora com os anúncios. E deveria indicar questões de qualidade do som, já que às vezes é tão ruim que não se entende e incomoda tanto quanto o alto volume. Deveriam ser responsáveis por isso os clientes e proprietários dos equipamentos, uns não contratando maus serviços, e os outros, oferecendo um som melhor, que inclua volume adequado para não afetar a saúde. Não é que se esteja contra a publicidade ambulante, pois cumpre uma função social e gera empregos, mas deve ser normatizada. E deveria ser atraente. Mas bem, o caso não é a publicidade ambulante normal, sim o ruído das campanhas, que igualmente deve ser regulado.
E não só os estrondos dos equipamentos de som, mas também os buzinaços das caravanas de veículos, que desrespeitam e maltratam aos eleitores. A lei 431, de circulação veicular, estipula multas para quem provoque “ruídos escandalosos e perturbadores do meio ambiente” (Art. 26, inciso 40).
Seguramente esta é uma exceção que se autoconcedem os políticos. Ou será que as autoridades concedem esta permissão? E se não concedem, tampouco escutam os buzinaços. O poder político-partidário se impõe ante o dever constitucional de proteger a saúde e o meio ambiente.
Por que uma propaganda com gritos, buzinaços e sacolas plásticas?
Por que os partidos políticos só vêem o voto em cada cidadão?
Por que não vêem a um ser humano que merece respeito? Por que não nos fazemos respeitar? A contaminação ambiental nos afeta a todos e a todas, e quem chegue à cadeira de edil serão os principais responsáveis pelo meio ambiente saudável e à saúde da população. Que podemos esperar destes candidatos e candidatas?
É preciso ainda lembrar da contaminação visual, com faixas, cartazes, adesivos, garrafas e milhares de santinhos que deixam nos comícios e concentrações. Em que lhes ajuda essa quantidade de papéis que ficam atirados? Sabem quanta água e quanta energia significa fabricar esse papel todo? E o quanto contamina sua fabricação?
Oxalá que troquem suas bolsas plásticas por outras de pano, assim mudarão em parte sua mensagem. E seus altos decibéis por atividades de alto conteúdo social, artístico e cultural. Por que não um esforço de criatividade, honestidade e inteligência, e fazer da campanha eleitoral uma real festa cívica?
Publicado no El Nuevo Diário de Manágua, Nicarágua. Tradução de Ulisses A. Nenê para a EcoAgência. Reprodução autorizada, citando-se a fonte.
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