por Rodrigo Avila Colla, participante do curso de Jornalismo Ambiental NEJ-RS
Em palestra conferida no curso de Jornalismo Ambiental, o geólogo Rualdo Menegat definiu tecnourbesfera como sendo o ambiente forjado pelo homem a partir do processo de urbanização. Já não temos atmosfera sobre a cidade nem litosfera sob ela, temos uma atmourbesfera e uma litourbesfera. O quê de vida ainda resiste nesse meio que inventamos pela técnica vem a ser a biourbesfera.
Nesse sentido, a tecnourbesfera propicia um enxadrezamento (o traçado de tabuleiro dos quarteirões das cidades vistas de cima) antinatural dos seres humanos. Antinatural porque na natureza encontramos outro tipo de formas (espiraladas, fasciculadas, radiais, etc.). Esse enxadrezamento é só mais um indício de que o habitat que criamos para nós exclui o meio ambiente, o relega à periferia; é um sinal nítido de que nos distanciamos e nos tornamos, como a urbe, contrários a lógica do ecossistema, ou, dizendo de outra forma, de que estamos inclinados a entender a natureza como algo a ser dominado, restrito aos nossos jardins e quintais “tabuleiromorfizados”.
Menegat defende que, para biologizarmos o empedernido ambiente urbano, haveria de ter uma “revolução urbícola” que, em outras palavras, trouxesse o campo para dentro da cidade propiciando, assim, o plantio de diversas culturas no âmbito urbano. Ele interpela ainda: “Por que não pode haver aviários na cidade, por exemplo?”. Afinal, tanto se fala na importância da manutenção da biodiversidade e no gasto de energia que empreendemos para transportar alimentos de regiões remotas em relação aos centros urbanos. E mais: “Que biodiversidade há nas grandes cidades? Quantos milhares de litros de petróleo são gastos (e esse gasto implica poluição) na locomoção dos alimentos que colhemos das prateleiras dos supermercados?”
Não são questões que devamos responder com dados estatísticos, mas rechaçar com atitudes fundadoras de um processo urbícola que, paralelamente, será um processo de humanização da cidade.
domingo, 5 de setembro de 2010
Tecnourbesfera: a antinatureza
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