Por Rafaela Haygertt, participante do curso de Jornalismo Ambiental NEJ-RS
Nos dias 20 e 21 de agosto, o Núcleo de Ecojornalistas do Rio Grande do Sul (NEJ-RS) promoveu um curso de Jornalismo Ambiental para discutir os desafios da cobertura do meio ambiente. O evento, que aconteceu no auditório da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS (Fabico), integrou as comemorações dos 20 anos do NEJ-RS e reuniu 37 pessoas, entre estudantes e profissionais interessados pelo tema.
A palestra de abertura ocorreu na noite de sexta-feira, dia 20 de agosto, e foi ministrada pelo geólogo, pesquisador e professor da UFRGS, Rualdo Menegat, que discorreu sobre a cegueira do ser humano em relação à natureza. Segundo o pequisador, o hemisfério sul vive uma década com diversos fenômenos naturais não comuns, e trouxe o exemplo dos ciclones extratropicais, como ocorreu em Santa Catarina, em 2004, além dos terremotos que despertam pavor às populações.
Com todas essas manifestaçãos naturais, afirma Menegat, a natureza tem se mostrado "um problema para os cidadãos urbanos". Entretanto, ressalta que tais mudanças não são problemas da natureza e, sim, do ser humano que lhe dá as costas. Todos estes fenômenos, explica o pesquisador, tem servido para mostrar que a humanidade desafia a natureza ao se aproximar cada vez mais das áreas de risco. É o que Menegat denomina de "cegueira da civilização humana contemporânea", em relação à natureza.
O geólogo alertou sobre a necessidade de aprendermos com os nossos erros, já que, segundo ele, não houve nenhuma cidade que não tenha sofrido com as inundações nestes últimos anos, as quais atingem em maior escala as populações que ocupam as áreas de risco.
No entanto, o mais problemático dos fenômenos, segundo Rualdo Menegat, é o aquecimento global, transformado pela imprensa em mais um espetáculo.“Isso mostra como estamos cegos para a natureza”, lamenta. ”O mundo urbano que construímos, está além da escala humana”, acredita o geólogo.
Para explicar o papel do homem no meio ambiente, Menegat trouxe duas palavras da língua italiana: ‘Voracino e Velocino’; a primeira ele associou ao consumismo voraz e a segunda à velocidade alucinada empreendida ao consumo. “Esses dois monstros tudo querem e numa velocidade excessiva”, brincou o palestrante.
Segundo o pesquisador, existe hoje um problema muito grande que é a transferência do custo ambiental, onde os municípios terceirizam para outros o seu lixo e, também, a sua responsabilidade com o meio ambiente. “Domesticar a urbesfera - a cultura do hábito urbano - é a grande questão para o futuro humano, um futuro humanista”, defende o professor.
O palestrante também falou sobre o recente desastre ambiental causado pelo petróleo no Golfo do México. “O evento do golfo o México é o maior desastre natural dessa década, e ninguém fala sobre isso”, critica. Para ele, nunca houve uma censura tão ferrenha, e relembrou que o silêncio da imprensa "só se compara à censura dos experimentos nucleares durante a guerra fria”.
Após a palestra, o docente da UFRGS respondeu algumas perguntas dos participantes, que foram desde a questão da desapropriação da vila do Chocolatão até a melhor forma de lidarmos com aqueles que não acreditam que o aquecimento global é uma realidade.
No final, Menegat deixou claro aos participantes: cuidar do meio ambiente é cuidar das pessoas.
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Menegat e a invisibilidade da natureza
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