terça-feira, 15 de julho de 2008

Anama recebe prêmio Muriqui

A organização Não Governamental gaúcha Ação Nascente Maquiné recebeu o Prêmio Muriqui 2007, do Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica em maio deste ano. A entidade, que atua principalmente em meio à Mata Atlântica no Litoral Norte do Estado, teve o reconhecimento nacional principalmente devido a sua pesquisa conjuntamente com ações concretas para a conservação e o manejo sustentável da samambaia-preta, espécie nativa da região.

O prêmio é dado para pessoas físicas e/ou entidades públicas e privadas, nacionais ou internacionais que tenham se destacado, por suas atividades em benefício da proteção da biodiversidade, do desenvolvimento sustentável ou do conhecimento científico da Mata Atlântica, o bioma mais ameaçado do país.

Este ano o Muriqui foi entregue a Paulo Nogueira Neto, ex-secretário nacional da Secretaria Especial de Meio Ambiente (antes de existir MMA) e criador de diversas Unidades de Conservação e Toinho Pescador (Antonio Gomes dos Santos), representante das comunidades tradicionais, lutador da causa da transposição do Rio São Francisco, vice-presidente da Federação de Pescadores de Alagoas e membro do Movimento Nacional dos Pescadores.

A Anama é a segunda ONG gaúcha agraciada com o prêmio. A Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural recebeu o Muriqui em 1996. Também receberam a distinção o ambientalista José Lutzenberger, em 1996 e o Consórcio de Desenvolvimento Sustentável da Quarta Colônia (Condesus), em 2005.

A entidade conta com 25 associados, atua na região nordeste do Rio Grande do Sul, e tem como área piloto o município de Maquiné. Para Gabriela Coelho de Souza, coordenadora da Anama, "o reconhecimento é extremamente importante para a valorização de trabalhos em parceria envolvendo ONG, academia, comunidades e setores governamentais". E estima: "ponderamos que um dos aspectos mais importantes deste momento seja a possibilidade de ampliação de nossas redes sulinas no cenário nacional. A bióloga ressalta que a experiência da entidade traduz experiências concretas do modelo de gestão da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica."

Como seqüência deste trabalho, a Anama, juntamente com o DESMA/PGDR/UFRGS, CPCN ProMata/IMA/PUCRS, EMATER/RS, Prefeitura Municipal de Maquiné, Reserva Biológica da Serra Geral/DEFAP/SEMA-RS, Grupo de artesãs do Projeto Samambaia-preta e FEPAGRO, estão formando o Posto Avançado Maquiné da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica. As ações centram-se na construção de alternativas sustentáveis que sigam os preceitos da Política Nacional da Biodiversidade.

Atualmente o Posto Avançado Maquiné já vem trabalhando com a estruturação do ecoturismo no município, com o uso sustentável do junco, frutos da palmeira juçara e pinhão, com destaque para palmeira-juçara entre as regiões Sudeste e Sul e com agroflorestas.

Samambaia-preta
A Anama imprime sua marca através de ações envolvendo diferentes segmentos e atores sociais, especialmente no "eixo ONG-academia". "Isso fortalece a geração do conhecimento e sua aplicação prática com retorno para a sociedade", salienta Gabriela. O trabalho de articulação da Anama já trouxe resultados práticos. Graças à entidade, foi possível regulamentar a extração da samambaia-preta, um produto florestal não madeirável, das áreas de encosta da Serra Geral.

Essa planta, utilizada amplamente para arrajos e decorações, é a principal alternativa de renda para dois mil agricultores familiares. "Toda construção da normatização foi baseada no conhecimento tradicional e representa o primeiro primeiro produto florestal não madeirável regulamentado no Rio Grande do Sul.

Texto de Sílvia Marcuzzo
Redação da Ecoagência
Reprodução autorizada desde que citada a fonte

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